Conto 2 da Obra: Engolido Pelo Abismo

Vestíbulo do Abismo


Mal sabia eu, que não havia morrido, mas toda aquela escuridão me fez pensar por alguns instantes que a vida não corria mais por mim, então me questionei se a essência de minha vida já teria me deixado antes mesmo de entrar nas águas escuras, concluí então, que já havia morrido a tempos, mas por algum motivo ainda estava lá, completamente imerso.

“Se a vida não vaga mais pelo meu corpo, porque ainda dói?” pensei eu calmamente, e enquanto era carregado pelas águas escuras, ainda tinha espasmos, como se fosse afogar eternamente.

Apesar da escuridão eu enxergava a sete palmos de distância, pude ver mais a frente, uma bifurcação, para cima e para baixo. Para cima fui capaz de sentir uma forte corrente que dificultava o acesso ao topo, mas por algum motivo eu segui para baixo, sem me questionar qual poderia ser melhor, se eu soubesse… Ah, se eu soubesse...

Me dirigindo para o fundo, já pude ver arcos no teto que deslizava até o fundo, e no encontro dos arcos no topo, era possível ver aquele imenso lustre circular, parecia uma massa de carne viva gigantesca, formavam uma estrutura imensa, continuei para o fundo.

Passando próximo, percebi que aquela úvula gigantesca era composta por milhares de pessoas ou seres, que não fui capaz de distinguir, deformadas pelas águas escuras, juntas em uma única e imensa massa de carne onde todas estavam vivas e agonizando até o final dos tempos, assim como eu estaria, se não tivesse tomado uma decisão.

Percebi então que este era o vestíbulo do abismo, tal como seu centro estava localizado a úvula, que chamei de lar dos indecisos e dos covardes, lar daqueles que desistiram de continuar e daqueles cuja a qual a indecisão foi tamanha, que não foram capazes de decidir qual caminho trilhar.

~Autor: Dante Savoia (Autor Ficcional)

~Autor: Wotan Soberano (Autor Real)


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